Tornando-se “outro homem”: formações da masculinidade numa leitura centrada na pessoa

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DOI:

https://doi.org/10.64827/riec.v8i1.513

Resumo

Usando de um expediente estilístico de escrita ensaística, busco descrever, neste estudo teórico-reflexivo, como se dão as formações de masculinidade hegemônica em uma leitura dentro do escopo conceitual da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Para tanto, passo em revista algumas reflexões críticas sobre este tipo de masculinidade em suas formações históricas e subjetivas que constituíram o modo de “ser homem” tal como hoje ainda é compreendido; teço uma caracterização concisa da ACP enquanto uma proposta de relação de ajuda psicoterapêutica que intenciona ampliar a compreensão das relações humanas como lócus privilegiado de enriquecimento pessoal e coletivo; por fim, confronto tais reflexões com a teoria da personalidade e do comportamento de Carl R. Rogers, criador da ACP, especialmente no que concerne à formação do “eu” e do comportamento resultante, para daí pensar como esta abordagem psicológica poderia sugerir/propor outros modos mais saudáveis de “ser homem” para além do machismo estrutural e do patriarcalismo imbrincados na cultura ocidental.

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Publicado

2026-02-23

Edição

Seção

Dossiês